André, do grego Ándreas que no sentido etimológico significa corajoso, optimista, extrovertido, contemplativo e uma panóplia de significados inscritos num quadro a cinco tostões numa papelaria perto de si. Em vários websites significa varão ou viril, mas até que ponto esses rótulos são verdadeiros? Qual o meu nível de coragem? Virilidade? Optimismo?
Não acho que umas palavras num quadro de papel me possa conhecer melhor que eu, mas o problema reside no facto de nem eu me reconhecer bem ou então conheço-me mas subestimo-me.
Piaget sempre disse que o meio influencia o ser humano, que este é o ser mais influenciável que existe. Verdade, então como é que alguém poderia ser optimista se vivesse sozinho no planeta sem algo ou alguém por que sorrir e dizer “Vai tudo correr bem.”; sem adversidades para se sentir corajoso; sem algo para contemplar; sem o calor humano para se envolver e perder apaixonadamente? Acontece que para muitas pessoas, o mundo é vazio. Devoto de pessoas e/ou paisagens, um mundo a preto e branco sem áreas cinzentas para explorar. Eu vivi durante alguns tempos nesse padrão monocórdico. Claro que isto é uma mera hipérbole, nunca olhei para trás, nem nunca parei para suspirar a pensar no que poderia ter sido. Apenas cumpria o meu papel na sociedade à espera de qualquer coisa, qualquer coisa que seja. Música, amor, cor, etc.
E finalmente encontrei isso tudo, foi um Sol de pouca dura, mas que deu perfeitamente para saborear a fatia adocicada da vida, mas muito doce enjoa e houve momentos agridoces até o bolo azedar de vez. Na caixa agora vazia, restam as migalhas da experiência e maturidade ganha, agora com o estômago cheio, há que fazer exercício para queimar essas calorias, esquecer o pecado da gula e seguir de novo. Num mundo monocórdico, onde o meio nos torna a influenciar. Promessas feitas e muros erguidos a vida segue como um comboio na linha por nós construída, mas um comboio, continuando a metáfora precisa de combustível e para isso tem de parar. E quando pára os passageiros têm a oportunidade de sair e observar as paisagens, “and then there was you”, sentada à espera do teu próprio comboio.
Às vezes dois comboios podem-se fundir, dando origem a um melhor comboio, mais veloz, seguro, cómodo, íntimo, como quiserem! O que interessa é que as linhas não serão palmilhadas sozinhas, pé ante pé serão feitas a dois.
Ambos, ainda mordiscando as migalhinhas de outros bolos avançam com cuidado, saboreando a experiência ganha decidem comer o bolo devagar, saboreando-o, lambendo cada dedo após cada dentada. Dando ternos pedaços boca a boca.
Seguindo esta filosofia de vida, creio que haverá bolo para muito tempo e bem conservado, o bolo continuará saboroso, com requinte a mirtilo.
Piaget tem de novo razão, o meio influência de facto a pessoa e como sou uma espécie de “Maria vai com todas” segui a moda do senhor Jean.
Contigo superei muitos medos, dos quais ainda não consigo falar, mas um dia irei tos contar.
Contigo tornei-me mais corajoso face às pequenas nuances da vida insignificantes para uns, colossais para mim, como sorrir para alguém e dar-se a essa pessoa. Tornou-se mais fácil olhar para o Sol sem medo de me queimar a vista, de sair de casa sem dar importância a qual pé sai pela porta primeiro, a aventurar-me no desconhecido de mim mesmo.
Contigo tornou-se mais fácil estar calado e contemplar a vida e todo o seu esplendor, um olhar roubado sabe sempre bem; um sorriso cúmplice.
Contigo fui de novo abraçado pela música e pela cor, quase literalmente! Mas isso é algo a discutir mais pessoalmente!
Contigo… sou incapaz de escrever menos sobre nós, impelido a viver mais.
Portanto, um cartaz ou um estudo etimológico não catalogam uma pessoa, mas sim a pessoa cataloga-se a si mesma. E contigo acho-me aquilo tudo e mais, porque além de influenciáveis somos também desdobráveis. E neste momento sei bem o que sou e o que quero ser e como quero ser.
Agora citando alguém:
“Venha Paris para para baralhar esta embriagues de cultura e pessoas...”
Deixa-me deturpar, Venham mais dias, semanas, meses, anos para baralhar esta embriagues de culturas, pessoas e amor. Assim, sim!
Não irei estar contigo dia 22, nem no dia 27, mas espero que leias isto antes desses dias. Que guardes estas palavras tal como guardo o teu memento à volta do meu pescoço, junto ao coração que bate ligeiro como o motor de um comboio afinado.
Mais que umas palavras, quero que anseies por mais e que anseies por que tas dê. A minha boca é tua, assim como o meu toque é teu. Assim como o meu olhar.
“I’m yours”
Até sempre, blueberry kisses and gently massages in your neck.
Forever yours.
André Pereira.
22/08/08 e 27/08/08
P.S: I love you.
Visita o meu blog para saberes mais o que penso.
http://blaze-blario.blogspot.com/